Ler é Perigoso

Vanitas

 Até aos meados do século XVI (aprox) a Pintura de História era o grande género da pintura. Repartia-se em três ramos: a religião, a  mitologia e a História. Esta última, para além das suas funções de “repórter” de guerra, era um testemunho – num mundo sem fotografia ou câmaras- dos acontecimentos históricos dignos de relevo. As outras duas eram, no essencial, uma ilustração da Bíblia e da Mitologia.

A partir do Renascimento introduzem-se novas temáticas, mais próximas do dia a dia, que terão um enorme desenvolvimento no período Barroco. Nasce, assim, a Pintura de Género: cenas simples, quotidianas, banais. No século XVII, Vermeer de Delft (1632-1675), é um dos seus mais conhecidos representantes. De certa forma, esta pintura é a antepassada da pintura realista, que surge nos meados do século XIX. Com a pintura de género aparece, também, a Paisagem e a Natureza-morta.

Podemos inserir a vanitas em duas "correntes". Por um lado, ela faz parte da pintura religiosa típica do Barroco, movimento que, saído da Contra-Reforma, tanto apela aos sentidos e à profusão ornamental como, por outro lado, à contenção e ao despojamento. É aqui que aparecem as vanitas com santos penitentes como protagonistas principais.

as vaidades da vida humana

Harmen Steenwijck (1612-1656), Vanitas

 

 

Mas a vanitas insere-se, também, na natureza-morta. É nos países protestantes, com os pintores flamengos - que têm uma verdadeira paixão pelos detalhes das naturezas -mortas-, que a vanitas terá um grande desenvolvimento.

Este quadro de Harmen Steenwijck, um pintor holandês, ilustra-o bem. A riqueza simbólica deste quadro é enorme e dava um “testamento”.

Simplificando, todos os elementos expostos, o livro (a vaidade da sabedoria), a espada ( símbolo do poder) a concha (símbolo da riqueza) a charamela (música e amor), são “iluminados” pela caveira, que indica o memento mori.