Ler é Perigoso

Paul Theroux

 

PrintA Arte da Viagem é um daqueles livros que, para quem tem a mania de os sublinhar e anotar, não deixa, no final, um pequeno espaço em branco. Tudo é tão luminoso e profundo, que sublinhamos e anotamos tudo.

Dos 24 capítulos do livro, o capítulo 3 intitula-se Os prazeres dos Caminhos de ferro.

Um livro sobre a Viagem é, naturalmente, um livro sobre a escrita e a literatura:

vi que os viajantes mais apaixonados também são sempre leitores e escritores apaixonados.

Para os amantes de literatura este livro é um regalo, pois é um verdadeiro compêndio de citações e de comentários de escritores sobre a viagem.

Retenho duas passagens deste livro:
A primeira, do próprio autor:

O luxo é inimigo da observação, um prazer dispendioso que induz uma sensação tão boa que não reparamos em nada. O luxo estraga-nos e infantiliza-nos e impede-nos de conhecer o mundo (…) também sei pr experiência própria que um dos piores aspetos de viajar com pessoas ricas, à parte de os ricos nunca ouvirem, é estarem constantemente a queixar-se do alto custo de vida- na verdade, os ricos queixavam-se geralmente de serem pobres.

A segunda, do escritor francês GUSTAVE FLAUBERT (1821-1880):
Viajar torna uma pessoa modesta- vê-se como é pequeno o lugar que ocupamos no mundo.