Ler é Perigoso

Paul Auster ( Pinóquio)

 

Livro hiper comentado, estudado, ilustrado, cinematografado, hoje retenho alguns comentários do escritor PAUL AUSTER (1947) à história do Pinóquio.

Num livro de cariz essencialmente autobiográfico, onde as relações pai-filho são analisadas em detalhe pelo escritor, não é de estranhar que nele se comente a história do Pinóquio.

Só podemos reconciliar-nos com a Vida e com os outros, depois de nos reconciliarmos com nós próprios. Para isto, precisamos de descobrir e aceitar o nosso próprio corpo.  Por isso, diz Paul Auster,

O ser de Pinóquio precede o seu corpo: a sua tarefa ao longo do livro é encontrá-lo, ou, por outras palavras, encontrar-se a si mesmo. Esta é uma história de evolução e não de nascimento.

Collodi não nos diz o que se deve fazer para nos encontrarmos, Pinóquio limita-se a avançar às cegas, limita-se a viver, e, pouco a pouco, ganha consciência daquilo em que poderá transformar-se.

Desta história tão rica, o momento final, em que Pinóquio salva o pai, é um dos seus momentos fortes. Diz PAUL AUSTER:

O filho salva o pai, isto tem de ser imaginado do ponto de vista do menino. E o pai, que em tempos foi um menino, um filho, um filho do seu próprio pai, tem de imaginar completamente isto. Puer aeternus ( criança eternal). O filho salva o pai.