Ler é Perigoso

Ovídio, Metamorfoses

OVÍDIO ( 43 a.C-17 d.C)

 

ovídio METAMORFOSES
Autor, entre outros, da Arte de amar, os Amores, Cosméticos para a face feminina, Ovídio conhece, no auge da sua carreira, o exílio.

As razões são ainda hoje desconhecidas. Que motivo levou o imperador Augusto a bani-lo de Roma, nos anos 8. d.C ? Não se sabe.

As Metamorfoses são um texto cosmogónico ( cosmos= mundo; gonia= criação, nascimento),
são uma História do Nascimento do mundo, a partir da mitologia grega e romana,

uma Bíblia do nosso pensamento, do pensamento mitológico.

Mas, sobretudo,
As Metamorfoses
São um manual de psicologia, uma fina e atenta análise do ser humano,
uma história das paixões, da forma como elas impulsionam as mudanças, as metamorphoses,
uma história do inconsciente, das pulsões, dos actos incompreensíveis que governam as nossas vidas.

 

E, cereja em cima do bolo,
As Metamorfoses são

uma obra de uma Beleza ímpar na descrição de ambientes e comportamentos humanos.

Vejamos ainda a descrição de HIPNO, deus do SONO, irmão gémeo da Morte e pai de muitos filhos:

Diante da entrada da gruta, florescem férteis papoilas
e incontáveis plantas, da seiva das quais a Noite húmida
colhe a sonolência que borrifa pelas terras a escuridão.
Não há porta alguma em toda a casa, para não soltar
um só rangido ao girar nos gonzos, nem guarda no umbral.
Ao centro da gruta está um leito alto de ébano, de colchão
de penas, tudo de cor negra, coberto de uma colcha escura.
Nele se deita o deus em pessoa, o corpo relaxado, lânguido.
À sua roda, por todo o lado, jazem sonhos vazios imitando
formas várias, tantos quantas as espigas que a seara produz
as folhas que o bosque tem, grãos de areia atirados na praia.

 

OVÍDIO, Metamorfoses, Tradução de Paulo Farmhouse Alberto, Cotovia, 2007.