Ler é Perigoso

No livro, Porquê ler os Clássicos, ( 2009) Ed Teorema, Tradução de Colaço Barreiros, Calvino estuda 35 autores de todas as origens- gregos, latinos, persas, franceses, italianos, russos, americanos, etc-, e de todas as épocas: da antiguidade greco-latina até ao século XX.

Calvino

No prefácio do livro interroga-se sobre a pertinência da leitura dos clássicos:

Porquê ler os clássicos em vez de nos concentrarmos em leituras que nos façam compreender mais a fundo o nosso tempo?

Para além do interesse ou da pertinência, Calvino refere ainda a questão do tempo:

Como arranjar o tempo e a disponibilidade mental para ler os clássicos, assoberbados como estamos por esta avalanche de papel impresso que caracteriza a actualidade?

Calvino diz que se tira o maior proveito dos clássicos se se souber alterná-los com a leitura de autores da actualidade, e sublinha, a este propósito:

O ideal talvez seja sentir a actualidade como o rumor que entra pela janela, que nos avisa dos engarrafamentos do trânsito e dos saltos metereológicos, enquanto acompanhamos o discurso dos clássicos que soa claro e articulado ao nosso gabinete.

Mas será que vale mesmo o esforço?

Responde Italo Calvino:

Se alguém objectar que não vale a pena ter tanto trabalho, citarei Cioran (… ): enquanto lhe preparavam a cicuta, Sócrates pôs-se a aprender uma ária na flauta. “Para que te servirá?” perguntaram-lhe. “para saber esta ária antes de morrer”.