Ler é Perigoso

FERNANDO SAVATER

 

Dic Fil Sava

Quem começa a ler Savater, dificilmente passa sem ele.
Para todos nós- a maioria- ouvir falar de Filosofia significa pormo-nos em continência, postura rígida e testa franzida, como perante tudo o que sentimos importante e grave.
No prefácio deste livro, Savater demarca-se desta posição para anunciar, antes de mais, uma heresia: a filosofia é um género literário. E adepto destas Verdades Inconvenientes, continua, anunciando que, como toda e qualquer actividade intelectual que se preza, ela deve ser humorística:

o filósofo, sobretudo o filósofo moderno actual, creio que deveria escrever possuído por uma perdição e até por um escândalo semelhantes ao do riso. De maneira contagiosa, também. Com fruição, descaramento e ligeireza.

Savater faz da Filosofia uma Arte diária de conhecimento do mundo e de si próprio, capaz de suprimir o que nos impede ou nos estorva o pensamento. A filosofia não é um exercício de erudição, imbuída de pretensões científicas, mas de fruição e de aprendizagem da liberdade. Sobre isto, o livro Ética para um jovem é uma obra-prima.

Como ensina a Filosofia a Arte da liberdade?

De variadíssimas maneiras, mas sobretudo ensinando-nos diariamente a curiosidade e a disponibilidade:

A filosofia é uma actividade inventada por gregos viajantes, por gregos planetários ( recordemos que “planeta” em grego significa “vagabundo”) e, por isso, de certo modo, toda a filosofia é grega e, noutro sentido, nunca pode deixar de ser cosmopolita.