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O maior descendente vivo de Diderot e, sobretudo, do seu romance Jacques o fatalista e o seu amo, é Milan Kundera (1929), escritor checo naturalizado francês em 1980.

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A História da Europa é a história do romance, diz Kundera. O romance é a nossa memória comum de Europeus. Conhecer algumas das obras da nossa tradição literária é conhecer melhor a nossa própria História.

Em 1971 Milan Kundera escreveu um livro que é uma homenagem ao Jacques de Diderot, Jacques e o seu amo (Asa, tradução de Teresa Curvelo, 2005).

Designa-o de uma variação-homenagem e diz no prefácio a esta peça em 3 actos: a história do romance ficaria incompreendida e incompleta sem Jacques, o fatalista (p.10).

Seguindo o seu raciocínio, podíamos afirmar: a História da Europa ficaria incompleta sem Jacques o Fatalista.

Por que razão?

 

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Diz Milan Kundera no prefácio da sua variação-homenagem:

Porque nenhum romance digno desse nome leva o mundo a sério. Aliás, o que significa “levar o mundo a sério”? Significa por certo acreditar naquilo que o mundo nos quer fazer crer (p.11).

Ora, para Kundera, o papel do romance consiste precisamente, desde D.Quixote ao Ulisses, em contestar o que o mundo nos quer fazer crer (p.11).

 

Para os cinéfilos, O fatalista de João Botelho (2005), uma adaptação maravilhosa do romance de Diderot, é uma belíssima revisitação da obra.