Ler é Perigoso

BAUDELAIRE

AS FLORES DO MAL, Tradução de Maria Gabriela Llansol, Ed. Relógio d'Água, Nov 20o3.

Ensaísta, crítico de arte, tradutor de Edgar Allan Poe (que dá a conhecer em França), Charles Baudelaire inspirou músicos- Ferré é um dos cantores que lhe dedica um álbum- e outros, como Serge Gainsburg.

  Baudelaire viveu um período conturbado em França, marcado por três revoluções que agitaram o país: 1830, 1848 e 1851.
Revoluções políticas, que impulsionaram, naturalmente, revoluções estéticas.

Assim, as suas Flores do Mal, publicadas em 1857, tiveram o mesmo destino do romance Madame Bovary, de Flaubert, ambas acusadas nesse mesmo ano de “ofensa à moral pública”. Se Flaubert foi absolvido, o processo de Baudelaire não terá o mesmo feliz desfecho e o poeta será obrigado a pagar uma multa e a retirar seis poesias do livro.

Quase todas estas poesias são um convite à luxúria e à volúpia.

Vejamos um extracto de umas delas e é fácil perceber a razão da censura:

As Jóias
A queridinha estava nua e, conhecendo-me,
Guardava sobre ela apenas uns berloques sonoros
Cuja variedade por imensa lhe dava um ar conquistador
Como o que têm as escravas mouras em dias de felicidade.

Quando lança dançando o tinir vivo e apelativo
Desse universo irradiante de gemas e metal
Me causa um tesão extremo porque me excitam loucamente
As cenas em que a luz e o som formam um híbrido animal

Ela estava, pois deitada, para a fazer, se preferisse
E do alto do divã sorria de bem-estar
Ao meu vai-e-vem profundo e doce como o mar
Que em ondas posto nela por sua falésia subissem

(...)