Ler é Perigoso

Da impossibilidade de viver sem ter lido o D.Quixote

Cervantes (1547- 1616), escreveu a 1º parte do D.Quixote em 1605; a segunda, em 1615. Muitos leitores pensam que o D.Quixote foi escrito todo de uma só vez e assim publicado. No entanto, entre as duas partes distam dez anos. D.Quixote foi logo após a sua publicação um autêntico Best Seller. Em 1614, movido pelo sucesso do livro, alguém que diz chamar-se Fernández de Avellaneda publicou um segundo volume das aventuras de Quixote. Terá sido este acontecimento que terá lavado Cervantes a redigir e concluir a segunda parte do romance, matando o seu herói de forma a impedir qualquer tentativa futura de continuação.

O meu livro nasceu de um arrebatamento amoroso pela tradução/ versão do D.Quixote feita por Aquilino Ribeiro (como o digo no posfácio).

Mas a paixão quixotesca não se ficou pela leitura desta versão. Outras se seguiram, saídas em 2005, dos tradutores João Bento ( Ed. D.Relógio d’Água) e de Miguel Serras Pereira( Ed. D.Quixote).

Destas parti para uma longa viagem pelos herdeiros de Quichote, de que destaco dois romances:

Graham Greene ( 1904-1991 )

Monsenhor Quixote ( 1982)

Da impossibilidade de viver sem ter lido o D.Quixote

Relato de uma surpreendente amizade entre um padre e um alcaide comunista, que se constrói numa viagem alucinante pela Espanha franquista.

Uma reflexão também sobre a crença- o comunismo e o catolicsmo- semeada de humor, graça e “máximas” imortais: é estranho como partilhar uma sensação de dúvida pode aproximar os homens ainda mais do que partilhar uma fé. Um crente lutará com outro crente por uma diferença mínima, o que duvida só luta consigo próprio.

Enrique Vilas-Matas (1948)

A viagem Vertical (1999)

Da impossibilidade de viver sem ter lido o D.Quixote

Um livro quixotesco, como a maior parte dos seus livros.

Frederico Mayol, um próspero homem de negócios, é expulso de casa pela mulher, sem explicações de maior. Apenas: quero gozar em liberdade os poucos anos que me restam.

Onde ir, se já não é novo? Porque, quando viajas com alguém tens sempre tendência para ver o que te rodeia com estranheza enquanto que, quando viajas só, o estranho és sempre tu.

Como passar a ser este estranho de ânimo alegre, quando a juventude já lá vai há tanto tempo?

Frederico Mayol vai lançar-se então numa viagem que o leva a Portugal- Lisboa e Porto- e depois à Madeira; mas esta viagem leva-o sobretudo à única e grande viagem: uma viagem por si próprio - Pensou talvez que a autêntica vida de alguém fosse muitas vezes a vida que não se levava. [-] VOLTAR AO PERCURSO DE VIDA

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